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Dia Mundial das Línguas Gestuais: Conheça a contribuição da UFDPar

publicado: 23/09/2024 11h28, última modificação: 23/09/2024 11h28

As línguas gestuais, como a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), desempenham um papel crucial na inclusão e na garantia de direitos fundamentais para a comunidade surda no Brasil. Mais do que simples ferramentas de comunicação, essas línguas são expressões culturais e identitárias que conectam pessoas, promovem o acesso à educação, ao trabalho e à participação social. Reconhecida oficialmente no país em 2002, a LIBRAS segue sendo um elemento central para a luta pela acessibilidade e igualdade de oportunidades.

Dentro desse cenário, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) tem se destacado pela promoção das Línguas Gestuais. Em uma ação inovadora e inédita, pesquisadores da UFDPar participaram da criação do primeiro dicionário entre línguas de sinais no Brasil, um marco importante para o fortalecimento da comunicação interlinguística e intercultural. O livro CENA: Dicionário Visual da Língua de Sinais de Várzea Queimada (PI) é um dicionário entre uma língua de sinais criada por um micro comunidade de surdos residentes na zona rural de Jaicós no estado do Piauí, batizada de CENA e a língua de sinais nacional (LIBRAS), reconhecida por lei e utilizada pela maior parte da comunidade surda do país.

Outro avanço significativo promovido pela UFDPar foi o desenvolvimento de um Manual de Libras para Ciências, fruto do trabalho de uma equipe de pesquisadores em parceria com alunos surdos. O primeiro volume, intitulado A Célula e o Corpo Humano, reúne 300 sinais inéditos em LIBRAS para integrar termos científicos, facilitando o ensino de ciências para estudantes surdos. Além de apoiar educadores no ensino dessa disciplina, o manual tem sido útil para profissionais da saúde no atendimento a pacientes com deficiência auditiva, promovendo uma comunicação mais eficaz.

No entanto, um estudo realizado pelo Grupo de Estudos Avançados em Linguagem, Comunicação e Saúde (GEALCS) da UFDPar revela a persistente negligência linguística nas políticas de saúde voltadas para pessoas surdas no Brasil. Liderada pelo professor Anderson Almeida Silva, atualmente na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisa aponta que 96% dos surdos piauienses têm o primeiro contato com a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) apenas após os 7 anos de idade — uma faixa etária inadequada para a aquisição de uma língua natural.

A contribuição da UFDPar, portanto, vai além da criação de materiais didáticos e científicos. A universidade se posiciona como uma instituição comprometida com a inclusão e com a luta contra a negligência linguística.