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Publicado primeiro dicionário entre línguas de sinais do Brasil com participação de pesquisadores da UFDPar
Pesquisadores da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) e de outras universidades nacionais e internacionais, com o apoio do Governo do Estado do Piauí, publicam o livro CENA: Dicionário Visual da Língua de Sinais de Várzea Queimada (PI). A publicação trata-se de um dicionário entre uma língua de sinais criada por um micro comunidade de surdos residentes na zona rural de Jaicós no estado do Piauí, batizada de CENA e a língua de sinais nacional (LIBRAS), reconhecida por lei e utilizada pela maior parte da comunidade surda do país. O livro possui ainda tradução para o português e idioma inglês.
Foto: capa da publicação.
O trabalho de pesquisa e produção da publicação envolveram o professor Anderson Almeida da Silva, antigo professor da UFDPar e atual docente da Universidade Federal de Pernambuco, como organizador; o professor do curso de Turismo, Glauber Lima Moreira e o servidor Jó Carlos Neves Freitas, além da colaboração de alunos de cursos de graduação da UFDPar.
A língua de sinais criadas pelos moradores de Várzea Queimada é considerada autóctone, ou seja, uma língua criada sem a influência de uma outra língua. Está em uso por, aproximadamente, 70 anos, sendo utilizada tanto por pessoas surdas como pelos ouvintes. As visitas à comunidade pelos pesquisadores iniciaram em 2017, sendo a pesquisa destaque no programa de TV da Rede Globo, Fantástico, no ano de 2022.
Para o professor Anderson Almeida, “a partir desta publicação, a UFDPar demonstra sua preocupação com a valorização da diversidade linguística e coloca a universidade em um lugar relevante academicamente na pesquisa com língua de sinais no mundo, uma vez que a obra também pode ser consultada, mesmo que parcialmente, por pesquisadores estrangeiros", destacou.
Na cidade de Várzea Queimada há um alto índice de pessoas surdas de nascença: uma em cada vinte e cinco crianças nasce com surdez. Segundo a pesquisadora Karina Mandelbaun, doutora em genética pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, a explicação se dá pelo isolamento da comunidade, fazendo com que houvesse uma alta quantidade de casamentos entre primos. Desta maneira, os genes que causam a surdez foram bastante replicados, conferindo à cidade esta identidade.