Notícias

Pesquisadores da UFDPar descobrem molécula capaz de reduzir eventos imunológicos relacionados à severidade da COVID-19

publicado: 11/07/2024 18h46, última modificação: 11/07/2024 18h46

Uma equipe de pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) e do Programa de Pós-graduação de Ciências Biomédicas (PPGCBM) da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) estudou o comportamento do sistema imune em modelos experimentais capazes de simular resposta inflamatória característica da COVID-19. Além disso, descobriram como pode controlar os danos inflamatórios.

Esse estudo foi publicado recentemente na Life Sciences, uma revista internacional especializada em trabalhos que envolvem farmacologia, imunologia e biologia molecular. O trabalho intitulado "Diminazene aceturate inhibits the SARS-CoV-2 spike protein-induced inflammation involving leukocyte migration and DNA extracellular traps formation" oferece dados importantes para a compreensão dos efeitos do vírus na imunidade inata, mas também dados inéditos de um medicamento capaz de reduzir a resposta inflamatória observada no estudo. 

Foto: Alunos do LIGAT (Laboratório de Inflamação e Gastroenterologia Translacional) realizando experimento de microscopia intravital, técnica utilizada no artigo para avaliar o comportamento dos leucócitos. 

Para o Professor Dr. Lucas Nicolau, autor correspondente do artigo, o trabalho não seria possível sem a interação e integração de tarimbados grupos brasileiros nas áreas de imunofarmacologia. “Fruto de projetos que caminharam de forma complementar, esse trabalho contou com a pronta participação de importantes pesquisadores. As proteínas virais foram gentilmente fornecidas pelo Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares, chefiado pela Professora Dra. Leda Castilho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O time brasileiro envolvido nesse trabalho tem muita experiência em cada etapa. Dentre as instituições colaboradoras destaco a Fiocruz/RJ e as Universidades Federais do Ceará (UFC), do Piauí (UFPI) e do Maranhão (UFMA). Nosso laboratório tem estudado o impacto da COVID-19 no intestino e peritônio desde o início da pandemia, e esse trabalho é o resultado do andamento desses projetos que não seriam realizados sem a colaboração de colegas que temos o prazer de compartilhar a lista de autores. Um agradecimento especial à Profa. Dra. Elvira Saraiva e ao seu discente de doutorado Gean Carlos Pereira, um egresso do curso de Biomedicina da UFPI/UFDPar".

Para o Professor Nicolau, as descobertas abrem perspectivas importantes e afirma “Quando estudamos aspectos celulares e/ou moleculares da patobiologia de uma doença como a COVID-19, carente de terapias eficazes, é sempre um grande desafio, mas além de compreender como a doença se desenvolve, propomos nesse estudo uma molécula capaz de mitigar os danos inflamatórios tanto em camundongos como em leucócitos humanos. É como achar uma agulha num palheiro! Descobrimos que o aceturato de diminazeno (DIZE), um velho medicamento lançado no mercado na década de 50, o qual estudamos no laboratório desde 2014, foi capaz de reduzir eventos relativamente recém-descobertos em neutrófilos que estão associados à severidade da COVID-19 em pacientes críticos que precisaram ser hospitalizados. Esses eventos, denominados de NETs (‘neutrophil extracellular traps’ ou, em português, armadilhas extracelulares de neutrófilos), correspondem a um mecanismo que os leucócitos usam para capturar agentes patogênicos como bactérias e vírus. Eles descompactam seu DNA e lançam como uma rede para realizar captura do patógeno. Isso é um bom mecanismo para defesa, mas, quando acontece em demasia, causa um dano não apenas ao agente invasor, mas também ao tecido do hospedeiro. Descobrimos que o DIZE controla isso!”. 

 Foto: Imagens de microscopia confocal mostrando o que acontece com leucócitos na presença e ausência do aceturato de diminazeno (DIZE) com relação à liberação das NETs.

Esses dados foram mostrados no INFLAMMA 2024 que ocorreu na USP de Ribeirão Preto. No evento realizado pela Sociedade Brasileira de Inflamação (SBIn), a UFDPar foi a única IES do Nordeste brasileiro figurada na lista de conferencistas com a palestra do Professor Nicolau intitulada “SARS-CoV-2 Spike protein harbours clues to the COVID-19 in the GI tract: involvement of innate immunity in the peritoneum and gut”.

 Foto: Prof. Lucas Nicolau ministrando uma aula na USP no evento INFLAMMA 2024 organizado pela Sociedade Brasileira de Inflamação (SBIn) com os dados publicados na Life Sciences.

A interação entre os Programas de Pós-graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) e Ciências Biomédicas (PPGCBM) logrou êxito pois dedicou tempo e recursos próprios para execução de todas as etapas como conta o Coordenador do PPGCBM, Prof. Dr. Marcelo Filgueiras: “A publicação desse artigo é importante por diversos fatores. Primeiramente, é uma publicação internacional em uma revista científica de grande impacto, isso por si já é relevante, elucidando aspectos importantes da COVID-19, seus mecanismos e uma possível terapia. Em segundo, cabe destacar que se trata de cooperação que envolve pesquisadores de diferentes instituições, refletindo uma articulação que foi capaz de superar dificuldades e produzir esse importante manuscrito. Por fim, em especial para o Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da UFDPar por que envolve pesquisadores de dois programas, o PPGCBM e o PPGBiotec representados por docentes e estudantes desses programas”.

Foto: Rede de colaboração envolvida no trabalho publicado na Life Sciences.

Para mais informações, acesse o artigo clicando aqui e siga o LIGAT nas redes sociais (@ligat.ufdpar) para acompanhar a divulgação cientifica desse trabalho.