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Programa Quintais Agroecológicos promove Intercâmbio Cultural Brasil-Angola

publicado: 20/05/2024 16h52, última modificação: 20/05/2024 17h21

Entre os dias 21 e 24 de maio de 2024, os territórios da Planície Litorânea e dos Cocais do Piauí receberão um significativo intercâmbio técnico-cultural promovido pelo programa de extensão Quintais Agroecológicos, coordenado pelo professor Josenildo de Souza, do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). O evento, parte do projeto Capote Cultural, contará com a participação de um grupo de agricultores(as) e técnicos(as) angolanos(as) da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente de Angola (ADRA).

O encontro visa não apenas a troca de conhecimentos sobre práticas agroecológicas, mas também o reencontro dos remanescentes quilombolas do Piauí com suas origens africanas. “O projeto Quintais Agroecológicos vem contribuindo com a cooperação dos países de língua portuguesa, a CPLP. Dentro dessa discussão, Angola partiu na frente demandando os quintais agroecológicos para o país”, explicou o professor Josenildo em entrevista à Coordenadoria de Comunicação Institucional (CCI) da UFDPar.

Durante os quatro dias de evento, uma delegação angolana composta por oito pessoas, entre acadêmicos, agricultores e dirigentes, participará de diversas atividades planejadas pela equipe dos Quintais Agroecológicos e do Capote Cultural. “Nós tivemos várias reuniões com gestores de ministério e a ADRA, que é uma agência para o desenvolvimento rural de Angola. E está vindo uma missão para conhecer as experiências do quintal agroecológico”, acrescentou Josenildo.

O Capote Cultural, subprojeto do Quintais Agroecológicos, tem como objetivo promover o reencontro dos remanescentes quilombolas com suas raízes africanas, investigando manifestações culturais, práticas agrícolas e tradições mantidas ou ressignificadas ao longo do tempo. “Esse momento é um momento de reencontro nas águas e nas terras desses povos, dessas nações, que foram apartados de suas origens por conta do processo de escravidão e colonização”, destacou o Professor Josenildo.

A programação do intercâmbio inclui um encontro inicial na Ilha Grande, com atividades com comunidades da Área de Proteção Ambiental do Delta, seguido por uma abertura oficial à noite. No dia seguinte, a delegação visitará diversas comunidades quilombolas, começando por Olho d'Água dos Negros, em Esperantina, e seguindo para Manga, em Batalha, e Pereira dos Anacletos, também em Esperantina. A jornada culminará em Piripiri, onde as comunidades quilombolas Sussuarana e Marinheiro, entre outras, participarão de um encontro focado na troca de saberes e experiências em agroecologia.

A parceria com a ADRA, uma ONG angolana dedicada ao desenvolvimento sustentável e inclusão social, é crucial para o sucesso do intercâmbio. Comemorando 30 anos em 2020, a ADRA tem se destacado por valorizar tradições e fortalecer comunidades rurais angolanas. “A realização do presente intercâmbio no Brasil atende a grandes expectativas de fortalecer os quadros e os parceiros da ADRA na busca pelo desenvolvimento democrático e sustentável, social, econômico e ambientalmente justo”, afirmou o Professor Josenildo.

Este intercâmbio representa um passo importante na reconexão cultural e na promoção de um desenvolvimento rural mais justo e sustentável para ambas as nações, celebrando as raízes comuns e fomentando a cooperação técnica e cultural entre Brasil e Angola.

Para mais informações sobre o Intercâmbio Cultural, visite a página do Quintal Agroecológico no Instagram.