Notícias
Por Dentro da UFDPar: Do ser ao tornar-se leitor, entre o mundo e a palavra que liberta
Neste dia 12 de outubro, Dia Nacional da Leitura, o Por Dentro da UFDPar destaca um projeto inovador que une educação, literatura e transformação social. O projeto "Do ser ao tornar-se leitor, entre o mundo e a palavra que liberta", coordenado pela Professora Dra. Cloris Violeta Alves Lopes, do curso de Pedagogia da UFDPar, é uma iniciativa que visa a ressocialização de pessoas privadas de liberdade através da leitura, desenvolvendo hábitos literários e promovendo a remição de pena.
Foto: Cloris Violeta Alves Lopes, Professora do curso de Pedagogia da UFDPar e coordenadora do Projeto.
A Professora Cloris, doutora em Educação pela UFSCar, com foco em Educação em Prisões, compartilhou suas motivações e experiências:
"Em 2012, tive meu primeiro contato com a educação em prisões ao coordenar um curso de especialização na UFPI. Desde então, me apaixonei pelo tema, vendo de perto o impacto que a educação pode ter na vida de pessoas em situação de privação de liberdade. Esse projeto é uma oportunidade de oferecer mais humanidade ao ambiente árido do presídio e criar uma ponte para a ressocialização através da leitura", destacou a professora.
Foto: Professora Cloris em seu primeiro contato com os participantes do projeto.
Desenvolvido na Penitenciária Mista de Parnaíba, o projeto conta com a participação ativa de professores, alunos bolsistas e voluntários do curso de Pedagogia da UFDPar, além da colaboração de outras Instituições de Ensino Superior e da comunidade externa. Aliado ao projeto "Leitura Livre", já implantado pela Secretaria de Justiça do Piauí, o objetivo é promover a prática literária como um direito e uma política pública, que vai além da simples remição de pena, possibilitando a reformulação da visão de mundo e da identidade dos internos.
Foto: Professora Cloris Violeta acompanhada do Diretor da Penitenciária Mista de Parnaíba, Fernando Caldas, e da Assistente Social Maria.
"A leitura dentro do presídio pode resgatar a identidade desses indivíduos, que muitas vezes são chamados por números e não por seus nomes. Esse processo de humanização é essencial para a ressocialização e, ao mesmo tempo, beneficia a sociedade como um todo, ainda que muitos não enxerguem dessa forma", reforçou a professora Cloris.
Além de ampliar o acesso à literatura, o projeto também propõe a reflexão sobre os desafios enfrentados no sistema prisional. Como a leitura, a escrita e o acesso às bibliotecas podem ser utilizados como parte efetiva do processo de reabilitação? E mais: Até que ponto isso é tratado como um direito adquirido por aqueles que estão em situação de privação de liberdade?
Foto: Professora Cloris é recepcionada na Penitenciária Mista de Parnaíba, onde o projeto é desenvolvido.
A proposta literária se desenvolve através da leitura mensal de obras escolhidas pelos participantes, seguida da elaboração de resenhas reflexivas. A cada resenha, os internos têm a chance de expressar seus sentimentos, interpretações e conclusões, o que não só favorece o processo de ressocialização, mas também contribui para a minimização dos efeitos da "prisionização" — fenômeno que desumaniza e aliena aqueles que estão dentro do sistema.
O projeto já está em fase de implantação, e as parcerias e doações são fundamentais para seu pleno desenvolvimento. A Professora Cloris tem feito um apelo para a doação de livros, estantes e outros recursos, intensificando a mobilização em torno dessa causa.
"Ainda está tudo muito no início, mas a empolgação e o otimismo da equipe são grandes. Sabemos que estamos lidando com um espaço onde a segurança predomina, mas acreditamos na força transformadora da educação", concluiu Cloris.
Neste momento, o projeto conta com a parceria de várias pessoas e instituições que têm sido essenciais para a sua implementação, incluindo:
Lorena Andrade dos Santos – Aluna do curso de Pedagogia (UFDPar), bolsista do projeto.
Francisca das Chagas Duarte de Siqueira Souza (NILCE) - Professora do sistema prisional que acompanhará o projeto.
Maria Inez Ramalho – Do Grupo "Mulherio das Letras".
Dr. Romulo Paulo Cordão – Promotor de justiça de entrância final em Parnaíba - PI.
Professor Dr. Gildário Dias Lima – (UFDPar/TRON).
Benigno Núñez Novo – Assessor de Gabinete do Tribunal de Contas/Piauí.
Samuel Cunha de Aguiar – Presidente da Casa Espírita Caridade e Fé.
Maria Conceição Macedo - Doadora de livros da cidade de São Carlos ( SP).
Entretanto, o projeto continua aberto a novas parcerias e doações, uma vez que o desafio de transformar o espaço prisional por meio da leitura é uma jornada coletiva, e cada contribuição faz diferença. Se você desejar fazer uma doação para o projeto, pode entrar em contato através do Whatsapp.
Neste Dia Nacional da Leitura, reforçamos o papel fundamental da literatura não só na educação formal, mas também como uma ferramenta de transformação social, especialmente em contextos tão desafiadores como o sistema prisional.